Bio
Tiago Costa de Carvalho, 31 anos, nascido e residente no Brasil, neste momento, morando em São Paulo. Atualmente minha produção gira em torno do universo da gravura e suas tecnologias, trazendo reflexões sobre o pertencimento e a fugacidade dos tempos atuais.
Formado na Universidade de Brasília no curso de Artes Visuais, desenvolvi minha produção nas linguagens da pintura e da gravura, com as quais tive mais afinidade. Ali dentro encontrei respaldos teóricos e práticos não só para minha pesquisa como também para minha produção.
Gosto de dizer que meu fio condutor e meio de criação é a água e o aprofundamento sobre a visualidade de seus estados. Em minhas obras, trago sempre o convite a refletir como objetos e acontecimentos que tem conexões com a água são de alguma forma paralelas à relações sociais nossas ou mesmo, relações de nós para com nós mesmos e o mundo.
Assim, minha produção se torna uma espécie de jogo de contradições e equilíbrios – de belezas que se escondem a plena vista e presenças que parecem ausências – estas geram questões de qual é o papel dessas relações de certos objetos em determinados contextos. Mais ainda, hoje vejo que o meu corpo atual de obras têm sido um momento de reflexão sobre a cor branca e o seu lugar cultural – onde essa é percebida em meios funcionais como uma “não-cor” ou até mesmo o “fundo”. Dessa forma, trago ela para o papel de cor e dando a ela a função de inverter a relação daquilo que seria denotado como objeto versus espaço. Fazendo assim, obras que outrora poderiam ser percebidas como objetos repetidos e perenes, se demonstram como vagas lembranças. Aliado a isso, a técnica da gravura me oferece como potência tanto a sua capacidade de produzir múltiplos de uma mesma imagem, dando assim a liberdade de aplicação da imagem de um mesmo objeto em diversas formas e cores a fim de retratar os contrastes perceptivos que podem acontecer.
Participei de algumas exposições durante a graduação, incluindo museus importantes como o Museu Nacional da República em Brasília, bem como pude apresentar minha tese defendida na graduação em seminários.
Por fim, tenho uma grande proximidade com o design após trabalhar 5 anos consecutivos como designer para papéis de parede, onde pude não só aprimorar como explorar algumas potências do meio em eventos como a Casa Cor.
Manifesto
Olho para mim mesmo, seja no espelho, seja por anotações estranhas em cadernos diversos, ou mesmo em objetos que foram guardados em alguma ocasião obscura para o futuro – e penso: com certeza o que sou hoje não são essas coisas, mas a vontade de guardá-las.
Quando penso sobre o ato de criar e guardar, é no que damos a importância que geramos o movimento. Sejam pelos objetos mais efêmeros valorosos, como os duradouros e sem valor, ambos compõe no fim a grande rede de conexões que tornam as nossas ideias ilustráveis, onde podemos criar os diálogos com nossos “eus” do futuro – que até podem vir a ser outras pessoas – afinal, é o que estamos fadados a ser.
O ato de ver com os próprios olhos é coletivo. Só podemos desambiguar a nossa visão fisiológica da visão histórica quando compartilhamos o que estamos vendo, seja por meio de apontar o mesmo objeto, ou descrever o que estamos vendo: os meus trabalho são odes à descrições de visões que me perpassam e que, de alguma forma, são ou almejam ser, verdades. Ao passo que, ao mesmo tempo que a obra é vista, ela olha de volta com o meio e decide se irá se revelar, ou se esconder. Fica a cargo do interlocutor, nesse caso, de decidir a vontade e a preferência do que depreender.